Vamos lá procurar casa

Uma das primeiras preocupações para quem se vai mudar para o estrangeiro é "onde é que vou viver?".
Não sei se algum de vocês conhece o mercado imobiliário em Amesterdão, mas desde que comecei a pesquisar, acreditem que ouvi de tudo e não se mostrava nada animador. "Hoje em dia é muito difícil alugar uma casa em Amesterdão", "os preços estão altíssimos", "a procura é imensa", "não vai ser nada fácil essa tarefa"...bastante animador portanto...
Independentemente do que pudessem dizer já não havia volta a dar, portanto, lá pusemos mãos à obra.
Quais os melhores bairros para viver mas que não nos peçam um rim??
Quais os bairros menos bons para que também não nos tirem o outro rim?!?
Queremos um bairro calmo, com comércio, baby friendly, com bons transportes, que não seja muito longe do centro, que seja perto do trabalho do Bruno, que seja seguro e "the last but not the list" que não nos leve à falência porque o miúdo tem que comer. Parece fácil..#not!!
Casas no centro ou é para quem tem muito dinheiro, coisa que não me importava, ou para quem quer é ir sair à noite e estar perto da nightlife, aluga um quartito e faz a festa. Não nos enquadramos em nenhuma das duas categorias, portanto se não queremos viver numa casa do tamanho de uma despensa e pagar uma renda como se vivêssemos no palácio real, o centro de Amesterdão foi logo riscado da lista.
Depois de horas intensivas de buscas por essa internet fora (façam-me perguntas que já estou doutorada na matéria), lá conseguimos escolher as zonas onde não nos importaríamos de viver.
Segundo passo, marcar as visitas. Sim, porque em Amesterdão se gostas de uma casa é bom que marques logo uma visita e depois da visita se gostares da casa, não demores muito a fazer a oferta, a probabilidade de a perder é enorme (mais uma coisa animadora que nos tinham dito).
Ok, malas feitas, passagens compradas e hotel marcado para 2 adultos e uma criança, vamos lá à procura da casa in loco pois de Portugal não adjudicamos coisa nenhuma. Pelo sim pelo não, marcámos logo hotel para 1 mês (com possibilidade de cancelamento) pois as perspectivas de arranjar casa rapidamente eram muito remotas. E uma coisa é ir de férias e só ir ao quarto do hotel para dormir, outra coisa é viver num hotel e ainda por cima com um bebé. Peripécias que tenho que contar numa outra publicação.
Chegámos a Amesterdão num domingo e o Bruno ia logo começar a trabalhar na segunda-feira, portanto a procura da casa bem como as visitas ficavam do meu lado, sempre com a ajuda do Francisco de 16 meses. Bem, não sei se chame de ajuda, pois com os 5 graus negativos que se faziam sentir, chuva, vento e neve, a tarefa não era fácil. Ahhh sem contar com o meu maravilhoso sentido de orientação que olho para um mapa e pareço um "burro a olhar para um palácio", se era para virar à esquerda, já virei 10 vezes à direita. Mas para estes problemas há sempre uma solução, e a minha chama-se Uber.
Enfim, segunda-feira começa a busca (novamente) pela internet à procura de casa. Ter sempre em atenção que se uma casa está publicitada há muito tempo no site, alguma coisa de errado se passa. #sómaisumacoisaparaajudar
Vi algumas de que gostei e mandei logo email a apresentar-nos (fulcral) e a pedir uma visita. Recebi algumas respostas do tipo "o proprietário não aluga a casa a famílias, só a casais sem filhos". WHAT?????? Não estava a começar bem. Mas mais uma vez..continuemos, e heis que na loucura consegui 3 marcações!!
Terça-feira, temos a nossa primeira visita, pego no Francisco visto-o como se fosse escalar o monte Evereste e chamo o meu "amigo" Uber. Primeira impressão, detestei a zona, segundo, andei feita louca às voltas a um prédio (literalmente) à procura do número da porta que me tinham dado. UMA COISA QUE NÃO ME ENSINARAM, o número que nos dão é literalmente o número da porta da casa/apartamento. Não há cá, "avenida de roma nº 63 1º direito", os prédios não têm números, as ruas podem ir do número 1 ao número 999 pois cada casa tem o seu próprio número. E quando finalmente consigo perceber esta pérola, e achar a porcaria do apartamento, já não estava lá ninguém à minha espera porque já estava 15 minutos atrasada!! O Francisco a gritar, eu gelada, às voltas num bairro com gente com ar duvidoso, o meu "amigo" obviamente já se tinha ido embora, ligo para agência a perguntar como é que era ao que me respondem "desculpe mas a agente imobiliária já saiu, agora ver esse apartamento só no final da semana"! AHAHAHAH só me apeteceu rir para não chorar e dizer uns quantos palavrões que por educação não vou escrever, mas vocês devem imaginar!!
AMESTERDÃO porque me recebes assim? Eu até sou boa moça!!!
Respira, inspira e não pira..amanhã temos mais duas visitas, portanto vamos lá para o nosso quartito.
Dia seguinte, o mesmo guião do dia anterior para irmos ver a casa, fomos deixados à porta do prédio, não houve atrasos, estava sol, parecia que as coisas estavam a melhorar.
Primeira impressão, gostei da zona e adorei a casa. Um T2 todo remodelado, muito acolhedor e com bom gosto. Nestas coisas sou uma criança e até um pouco impulsiva, por mim tinha ficado logo com ela. Enquadrava-se perfeitamente na minha lista de desejos que escrevi anteriormente e o medo de a perder por tudo o que já me tinham dito era enorme, até porque quando saí, estavam mais 3 pessoas à espera para fazer a visita. Mas ainda tinha uma casa para ir ver mais logo, portanto tive que dar uma oportunidade "à outra".
Resumindo, depois de ver a outra casa, continuei a achar que a anterior seria a melhor opção e foi a partir daí que decidimos fazer a oferta.
No dia seguinte recebemos a resposta da agência "o proprietário aceitou, a casa é vossa" YYEEAAHHHH. Mas claro que as incertezas começam logo de seguida, "será que fizemos bem", "será que é uma boa zona", "será que encontrávamos melhor", "será que nos estamos a precipitar", tudo me estava a parecer demasiado fácil e demasiado bom para dizer a verdade. Depois de alguns "será que..." decidi pegar no Bruno à noite e levá-lo à zona, não iria poder ver a casa ao vivo mas ao menos ficava a conhecer o bairro e tinha também uma segunda opinião, para não ficar com o peso de decidir tudo sozinha.
Depois de uma volta pelas redondezas fomos até a um restaurante na zona, muito giro por sinal, e quando lá estávamos os 3 a beber uma Heineken (esta parte do beber quero só referir que o Kiko não estava incluído, não chamem já a segurança social), uma senhora que estava acompanhada do filho engraçou com o miúdo e veio meter conversa connosco. Conversa para cá e para lá em inglês, descobrimos que era portuguesa, que vivia naquela zona há 16 anos e que adorava. Se estávamos com algum receio, o mesmo desapareceu, tínhamos ali a resposta às nossa perguntas!! Era um sinal!! (Acho que desgastámos a senhora com o inquérito que lhe fizemos)
Bem, saímos de lá felizes da vida e prontos então para encerrar este capítulo!! Agora sim, estava feliz!! Tudo se estava a encaminhar!!
Na segunda-feira seguinte estávamos a dar entrada na casa, nem queríamos acreditar que numa semana tínhamos arranjado casa e que afinal até nem tinha sido assim tão difícil. Talvez tenha corrido melhor porque as expetativas não eram altas ou Amesterdão percebeu que sou boa moça e até gosta de nós! :)
Instalados em casa, agora sim é real, somos uma família de "emigras"!!!

Algumas fotos da nossa casita.














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