Experiência de ser "ciclista" em Amesterdão



Como já tinha dito anteriormente, a probabilidade de sermos atropelados baixou bastante, e a probabilidade de atropelarmos, aumentou...

Para nos integramos como deve de ser nesta terra, temos que ter bicicletas! Não há hipótese!! Tenham 8 anos ou 80, todos têm uma bicicleta. É assim que toda a gente se desloca nesta cidade, faz parte da cultura. 

Nós chegámos em Fevereiro, e sempre dissemos que aqui, iríamos ter as nossas bicicletas.
Sempre achei um máximo ver famílias inteiras a passear de bicicleta, ver as pessoas irem às compras com os seus cestinhos postos, basicamente, esta cultura fascinava-me desde a primeira vez que pus os pés nesta terra. Portanto isto era ponto assente. 
Existem bicicletas para todos os gostos e carteiras. Nós queríamos umas baratas, que não estivessem a cair de podre e que levassem uma cadeirinha para o "piqueno".
Posto isto, deixarei aqui também algumas dicas de como e onde comprar, se por acaso um dia estiverem interessados em adquirir umas bicicletas em Amesterdão.

Comprar bicicletas novas é um desperdício de dinheiro, principalmente para quem seja emigrante e não saiba quanto tempo vai viver por aqui, até porque se encontram negócios ótimos em segunda mão.
Existem algumas lojas que vendem bicicletas em segunda mão, espalhadas pela cidade, estas eu diria que são os melhores sítios para comprar, no entanto, o sítio mais popular é no Waterlooplein Markt, um mercado onde se vende de tudo um pouco, e bicicletas roubadas usadas a preços muito reduzidos, no entanto sem qualquer garantia e sem sabermos ao certo do estado das mesmas.
Uma nota interessante, é que muitas destas bicicletas usadas são apanhadas na rua pela câmara municipal, porque estão abandonadas por exemplo, e depois vendidas aos comerciantes, que por sua vez, as vendem ao consumidor final.

Para não fugir à regra, decidimos então ir ao Waterlooplein Markt ver a oferta. No dia em que fomos, estava frio e chuva, pelo que tinha pouca escolha pois nem todos os comerciantes tinham a "barraca montada", demos uma volta e não vimos nada que nos enchesse o olho, então decidimos ir espreitar as lojas em 2ª mão que existem no recinto.
Na primeira loja em que entrámos apaixonei-me logo por uma bicicleta, que até estava a um ótimo preço. Lá comecei a falar e a negociar com o vendedor, sim, devem sempre negociar e não comprar pelo primeiro preço que vos apresentam, baixam sempre! Estava eu e senhor da loja num "tête à tête" quando entra uma senhora e diz que vai levar a bicicleta que eu estava a negociar, por um preço inferior. Fiquei passada, então o homem está a negociar comigo e vende a bicicleta a outra??
Ora vim a saber que a senhora já estava há 3 dias a negociar um preço com o homem, e que até já tinha a bicicleta reservada desde a manhã desse dia. Como é que eu sei isso tudo?? Porque a senhora é Portuguesa e contou-me. Mundo pequeno... E o homem já lhe tinha prometido que lhe vendia a bicicleta pelo preço pedido, mas como eu estava a dar um valor mais elevado o homem estava quaaaase a vender-me a bicicleta, se tivesse chegado um hora antes, tinha saído eu de lá com ela. Enfim, isto só mostra o quão aldrabões podem ser...uns autênticos homens de palavra!

Fiz birra e não quis ver mais nada nessa loja, passámos então para a seguinte. Vimos algumas bicicletas de que gostámos, experimentámos várias e negociámos bastante. Finalmente tínhamos achado as nossas bicicletas! Pagámos um bocadinho mais do que queríamos, mas ao menos viemos bem servidos. Podia ter pago menos, mas não eram tão giras. Nós somos pessoas de ideias fixas!! Dizemos em tudo "não vou gastar mais de X" e saímos (sempre) a gastar X + Y porque é sempre um bom negócio!! Enfim, fazer o quê? Já sabemos o que a casa gasta.

Uma dica, comprem bicicletas com travões de mão, sim, porque eles estão habituados ao travão de pé apenas (rodando os pedais para trás) e posso dizer por experiência própria que é o maior stress que existe.
Comparo as bicicletas aqui aos taxistas em Portugal, assim que o sinal passa para verde nos semáforos é tudo a dar uso às campainhas e, com o travão nos pedais, quando paramos não os podemos rodar para trás para os posicionar corretamente para iniciarmos a marcha, o que inerva como o caraças, porque queres sair dali, mas não tens posição para pôr os pés nos pedais e avançar, então começas a dar ao pés no chão, mas não és suficientemente rápido, então tens uma data de tipos a fazerem "plim plim" ou para saíres da frente ou para andares mais depressa. Enfim, só de escrever isto já fiquei novamente stressada. Portanto, bicicletas sem travões de mão estão completamente riscadas.


Lá iniciámos a primeira viagem de bicicleta para casa os 3, foram só 8 km.
Tudo tranquilo, estávamos a adorar, até ter consciência de que além de termos que ter cuidado connosco, ainda para mais levava uma criança comigo, temos que ter também atenção aos outros ciclistas, às motas e aos "mata velhos" (carrinhos pequenos em que basta a licença de mota de 50cc para conduzir) que estão (todos) autorizados a andar nas ciclovias. Já para não falar dos carris que somos obrigados a passar, o que ao inicio me fazia uma certa confusão.
Aliás, para inaugurar bem a coisa, ia-me esbardalhando no primeiro carril que precisei de atravessar. Não se riam, porque estava com o Kiko e a coisa podia ter corrido mal. Mas pronto, lá consegui domar a coisa (abana mas não cai), e depois sim, rimo-nos. Mais à frente cai um homem exatamente pelo mesmo motivo. Afinal não sou assim tão maçarica.

Descobri também que a bicicleta é um ótimo embalo para o Kiko, adormece ali que é uma maravilha, o chato é que não tem apoio para a cabeça, portanto anda com a cabeça de um lado para o outro.



Enfim, adoro esta nossa nova vertente de deslocação!
Passeamos, vamos às compras, é sem dúvida o nosso meio de transporte/exercício físico preferido!

São tão giras as nossas bicicletas não são?! Eu adoro!!

Beijinhos e bons passeios se vierem para estas bandas,

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