Portugal VS Holanda - parte I


E porque obviamente existem diferenças entre viver em Portugal e na Holanda, neste caso especifico em Amesterdão, fiz o meu TOP 10, no entanto, para já, só vos vou mostrar o meu TOP 5, porque se não o texto ficava looooongo e vocês fartavam-se de mim:

1 - O idioma
Tinha que ser o primeiro da lista, que língua de trapos me saiu este idioma.
Sabem aquela expressão "parece um burro a olhar para um palácio" pois é exatamente isto.
Não é preciso dizer muito sobre este ponto, o idioma é simplesmente impossível de se aprender de forma rápida e espontânea. Estamos cá há 8 meses e sei dizer boa tarde, sim, não, água, e pronto...é isto! Estamos avançadissímos e praticamente uns nativos como podem ver... #not
Mas também verdade seja dita que nem nos esforçamos muito, basicamente só precisamos de saber inglês para sobreviver aqui, e a grande vantagem, é que 90% dos holandeses falam lindamente inglês, e é assim que nos safamos.

2 - A mobilidade
E este ponto tinha que ser o segundo da lista, ora não fosse este país conhecido, também, pelas bicicletas.
Este é sem dúvida o transporte rei deste país, e ainda bem que assim o é, se cada pessoa que tem uma bicicleta tivesse também um carro e andasse nele diariamente, era pura e simplesmente impossível deslocarmo-nos neste país dada a sua densidade populacional. O que faz com que seja mais provável sermos atropelados por uma bicicleta do que por um carro. (verdade!!!)
Eles são loucos a andar de bicicleta, e nós também já lhe começámos a apanhar o jeito.
Os transportes públicos e as bicicletas são sem dúvida os mais utilizados.
Sendo um país completamente plano, é fácil irmos a pedalar para qualquer lado, já em Lisboa, como devem imaginar, não seria tarefa fácil.
Os transportes funcionam lindamente e até tarde e levam-nos a todo o lado, o único senão é que são caros, relativamente à realidade de Portugal.
Ter carro é um luxo, primeiro é impensável levar carro para o centro de Amesterdão, depois, são muito poucas as zonas onde se pode estacionar e não se tenha que pagar parquímetro (imaginem o que é pagar 4€/hora...welcome to Amsterdam), e as despesas mensais com o carro também não são baratas.
Maaaas, como bons tugas que somos e como bons emigrantes em adaptação, temos tudo!!! Temos bicicletas, andamos de transportes e lá está, temos um carro! Falta-nos só o barco...temos que tratar disso!
Relativamente ao carro, só o usamos basicamente ao fim de semana quando vamos para fora de Amesterdão ou durante a semana se tivermos que ir por exemplo ao shopping. Sim, porque isto de andar de transportes é muito giro (ou não) mas não há nada como andar de "cu tremido" e além disso temos a vantagem do estacionamento ser gratuito à porta de casa, caso contrário, não teríamos. #fácil

3 - O clima
O que dizer sobre este tempo? Uma palavra descreve...BIPOLAR!!! Ora num dia estão 30 graus, ora no outro a seguir estão 15 e dois depois estão 28 e anda assim. Não vale a pena ver a previsão do tempo para uma semana, esta previsão só se torna fidedigna se for vista no dia anterior, e ás vezes nem assim.
Sendo um país localizado mais para o norte da Europa. é de esperar que as temperaturas sejam mais para o frias do que o quente.
Desde que cá chegámos, até temos tido bastante sorte, o clima até tem estado bom para o que é costume, no entanto já apanhámos 5 graus negativos em Fevereiro e Março em que os canais gelaram e já apanhámos temperaturas de 30 graus em maio. Houve inclusive alturas em que aqui estava imenso calor e em Lisboa parecia Outono/Inverno. No entanto, o normal é o Verão e Primavera terem temperaturas mais amenas a rondar os 24 graus de média, e no inverno a variar entre os 4 graus positivos e o 1 negativo. Acreditem que faz muiiiiiiito frio, é horrível andar na rua a não ser que seja de fato de neve. No entanto, tivemos um Julho como os Holandeses nunca antes tinham visto, com temperaturas a chegarem aos 38 graus e sem chover durante 2 meses, o que levou a uma seca brutal #aquecimentoglobal Achamos piada agora, mas um dia choramos..
Também é suposto chover durante quase todo ano, mas felizmente o tempo tem sido nosso amigo, deve ser para nos irmos habituando a tudo com calma para não ficarmos chocados.
Uma coisa maravilhosa, é que na Primavera/Verão é de dia até quase ás 23h, sendo que no Inverno  é exatamente o oposto, anoitece muito cedo.
Como só chegámos em Fevereiro, ainda não apanhámos os meses todos de frio, mas este ano teremos essa oportunidade. Maravilha!! #not

3 - A qualidade de vida
Não vos vou falar da qualidade de vida em termos monetários, esse irei abordar noutro ponto, mas sim, em termos familiares.
Posso dizer que, ficou ainda melhor. Não é que fosse má em Portugal, longe disso, mas aqui como somos só nós os 3, aproveitamos mais o tempo, até porque tudo é ainda muito novo. Todos os fins de semana tentamos ir conhecer lugares novos, aproveitamos para descobrir, aprender, conhecer, sempre em família. Basicamente, passamos a vida a laurear a pevide (adoro esta expressão). E isto tem sido um dos pontos altos desta mudança. Sentimo-nos em casa, mas ao mesmo tempo continuamos a ter aquele sentimento de turista, o que me faz pensar que estou sempre a viajar, coisa que adoro!!
Outro ponto alto é a quantidade de parques e espaços verdes para levar o Francisco a brincar, e temos alguns mesmo ao pé de casa, basta andar uns 5 minutos, se tanto. Aproveitamos para dar uma caminhada até ao parque ou andar de bicicleta, e pode ser ao final da tarde, porque agora temos tempo para isso (mais um ponto alto) e descobrir o que nos rodeia. Isto seria impensável fazê-lo em Portugal, primeiro porque o Bruno chegava mais tarde a casa depois do trabalho e depois porque para ir a qualquer lado, dependíamos sempre do carro, o que por vezes condicionava a disposição para sair de casa.
Como não amar esta cidade?! 

5 - Sistema de saúde
O sistema de saúde holandês é considerado um dos melhores da Europa, e um dos mais caros também. Todos os residentes neste país são obrigados a ter seguro de saúde privado, sendo que até aos 18 anos todos estão isentos do mesmo. 
Quando cá chegámos, achámos que era tudo, menos melhor que o nosso (Portugal), tivemos azar porque estávamos cá há pouquíssimo tempo e não sabíamos como é que as coisas funcionavam, para quem não leu, pode ler o relato aqui.
Embora não concordemos com algumas coisas, há outras que fazem todo o sentido, nomeadamente, não correr para o hospital assim que se dá o primeiro espirro. Esta é a grande filosofia deste país. No entanto, há o oito e o oitenta, como podem constatar na publicação que fiz a relatar a nossa primeira, e única experiência até ao momento, com o sistema de saúde holandês. 
Ou seja, temos seguro de saúde, mas só recorreremos aos hospitais públicos, pois os privados, segundo dizem, são para os ricos, e mesmo assim, recorrer a hospitais só em último caso.
Antes de nos dirigirmos ao hospital, devemos sempre primeiro contactar o nosso médico de família ou a linha de apoio à saúde. 
Relativamente aos miúdos, em Portugal o Francisco era seguido pela pediatra que nós escolhemos, desde que nasceu, aquela pessoa a quem mandávamos uma mensagem a perguntar alguma dúvida que tivéssemos, pois aqui a coisa é diferente, os miúdos não têm um pediatra! Estes, estão nos hospitais e "só servem" para tratar os casos mais importantes/problemáticos, sabendo isto, espero nunca ter que recorrer a nenhum. No entanto também não são deixados à deriva e "do it yourself", são acompanhados na mesma a partir do momento em que nascem, sendo que já estão pré-estabelecidas as consultas de desenvolvimento a que devem ir (com um mês, dois meses, 3 meses, 6 meses, etc), para serem observados por um médico de clínica geral mas que está, obviamente, habilitado para lidar com estes assuntos pediátricos.
E já que falo no acompanhamento das crianças, posso também contar-vos que é muito comum os partos serem feitos em casa por enfermeiras, coisa que me assusta profundamente. Ainda tenho que analisar bem esta questão se decidirmos ter cá o segundo filho. Existem, pelo que sei, outras diferenças relativamente aos partos, mas que só fará sentido abordar numa publicação, se passar por essa experiência aqui, até porque na altura estarei muito mais informada sobre esse assunto.

E pronto, aqui vos deixo 5 diferenças, quem sabe um dia não se mudam para aqui também?!  😁
Numa próxima publicação, conto-vos as outras 5.

Até lá
Beijinhos e se vierem, avisem-me!! 

Comentários

  1. Adorei!!! O sistema de saude é parecido, senao igual ao inglês ! Bjss

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    1. Muito obrigada!! :) Pois, imagino que seja muito semelhante. Não sei se será melhor ou pior do que o de Portugal, acho que é mesmo uma questão de hábito. Beijinhos

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