Adultos precisam-se


Ninguém ama mais este ser do que eu, talvez o pai também o ame da mesma maneira, mas sinto falta de adultos. (não, isto não é um texto erótico)

Quase que sinto falta de trabalhar novamente por conta de outrem.
Imagino que ao lerem esta frase me estejam a chamar maluca (vá sejam meigos) e a rogar pragas.
Calma minha gente, eu passo a explicar.
Foi no final de Setembro de 2015 que decidi chegar a acordo com a empresa onde trabalhava na altura para me demitir. 
Na altura o meu pensamento foi, "vou deixar passar uns dias e depois começo novamente à procura de trabalho" isto de ficar no desemprego, mesmo que a receber subsidio, não é para mim. 
Entretanto (poupando-vos aos detalhes) surgiu a oportunidade de abrir uma empresa com mais dois amigos e acabei por enveredar por esse caminho. Resumindo, desde o final de 2015 que trabalho por conta própria. Ora, desde esse dia que deixei de ter o meu despertador matinal. (vá, continuem lá a rogar pragas)
Sei bem que isto é o sonho da grande maioria dos mortais, ter mais tempo para si, não ter que aturar chefes chatos/parvos, ter mais tempo para os filhos, ou para aquilo que quisermos e que nos dê mais prazer. Pois bem, trabalhar por conta própria não é sempre um mar de rosas, mas sem dúvida que tem muitos aspetos positivos e que dão 1000 a 0 ao trabalhar por conta de outrem. 
Mas não foi propriamente sobre este assunto que vos vim falar.
Assim curto e grosso, tenho saudades de adultos, porra!! Tenho saudades de ter conversas cara a cara com adultos.
Em Portugal a coisa era diferente, toda a minha vida estava lá, os meus amigos, a minha família, os meus shoppings, a minha praia, etc..
Aqui (e não me interpretem mal) só tenho o meu marido e o meu filho, que obviamente são tudo para mim, isso não está em questão, mas falta-me..conviver com (mais) adultos!!
De segunda a quinta o meu dia é passado 24h com o Kiko. (E dou graças por isso, sinto-me uma privilegiada por poder assistir de perto e "in loco" ao desenvolvimento e crescimento do meu filho, não trocava isto por todo o dinheiro do mundo.)
Na segunda-feira, trabalho, brinco, faço o almoço, dou-lhe o almoço, brinco, passeio, trabalho, ponho-o a dormir, mudo fraldas, dou banhos. Terça, quarta e quinta o cenário é exatamente o mesmo, o que muda, são coisas mínimas. Se calhar num dia vou ao supermercado, no outro vou ao parque.. 
Mas, só volto a ter contacto com um adulto ao final da tarde quando o Bruno chega a casa.
Quando digo que tenho saudades de trabalhar por conta de outrem, refiro-me apenas à parte social, ah, o receber fixo mensalmente também é bom..
As gargalhadas, o desanuviar, o falar com adultos e não com uma criança de 2 anos, todo o santo dia.
O Francisco nasceu em Setembro de 2016 e desde esse dia que nunca mais estive sozinha. Hoje com dois anos e pouco continua a estar comigo em casa, e eu não me importo, mas gostava tanto de de vez em quando ter uma tarde só para mim, uma manhã, não peço um dia inteiro, bastam-me umas horas.
As mães mais fundamentalistas não comecem já com coisas.. É legitimo ter este pensamento, é legitimo querermos ter também uma vida para além dos nossos filhos e é legitimo dizê-lo sem julgamentos, e neste momento é isto que sinto, que penso, e é isto que gostaria de ter!!
Há mães que só querem este papel, o de ser mãe, e eu aplaudo com todo o meu respeito, mas para mim, que AMO ser mãe, preciso de mais, preciso de mais coisas que me ocupem a cabeça e não apenas pensar na próxima brincadeira que vou ter com o Francisco.
Se não tivesse vindo para Amesterdão, muito provavelmente o Francisco já teria ido para uma creche, talvez com ano e meio ou máximo dois anos. Não que eu ache que eles não se desenvolvem em casa, ele é a prova viva de que isso é mentira, mas por dois grandes fatores (para mim):
- porque faz-lhe falta o contacto habitual com outras crianças
- porque me faz falta ter tempo para ser, apenas, adulta
Para o Bruno, de vez em quando há jantares de empresa, por vezes vai beber uma cerveja com os colegas a seguir ao trabalho, almoça com os colegas, e eu, eu tenho saudades disso.
Basicamente tenho saudades da parte boa de trabalhar para outros. #shame
Já conhecemos algumas pessoas muito boas aqui, mas ainda não são aqueles amigos que os vemos com imensa regularidade, e isso faz-me falta.
Isto de trabalhar sozinha e em casa, pode tornar-se muito solitário, e "agrava-se" quando estamos num  país que não é o nosso há relativamente pouco tempo, embora já esteja a fazer quase um ano.
E não me digam "mas não estás sozinha, tens o teu pequeno e bla blá blá", é verdade e ele já me faz imensa companhia e é maravilhoso tê-lo sempre por perto, mas faz-me falta conviver por vezes com adultos que tenham a mesma linguagem que eu.
Mas pronto, isto foi só um desabafo. 
Vou continuar a estar 24h/24h com o Francisco e não há mal nisso. Não trocava, só acrescentava umas pequenas coisitas. :)

Beijinhos
Diana

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